Entrar no FBI como agente especial (Special Agent) passa por candidatar-se em fbijobs.gov e concluir o Special Agent Selection System (SASS). É preciso ser cidadão dos Estados Unidos, ter pelo menos 23 anos, apresentar a candidatura antes do 36.º aniversário e entrar ao serviço até ao dia anterior ao 37.º, com licenciatura e experiência profissional qualificada. A seleção tem nove etapas publicadas pelo FBI, duas delas eliminatórias por prova: a Fase I, um exame informatizado de cerca de três horas, e a Fase II, composta por uma prova escrita e uma entrevista perante um painel de três agentes.
O FBI é a agência federal de investigação e de informações dos Estados Unidos, criada em 1908, com cerca de 38 mil funcionários, 56 delegações regionais e mais de 60 gabinetes no estrangeiro. Investiga terrorismo, contraespionagem, cibercrime, criminalidade violenta, direitos civis, crime organizado transnacional, criminalidade económica e corrupção pública. O SASS aplica-se apenas ao cargo de agente especial: as restantes carreiras, incluindo a de analista de informações, seguem um processo próprio e mais curto, que termina numa Oferta de Emprego Condicional (Conditional Job Offer, CJO) em vez da Oferta de Nomeação Condicional (Conditional Appointment Offer, CAO) dada aos futuros agentes.
Requisitos para entrar no FBI
Os requisitos são os mesmos onde quer que viva, e o primeiro elimina a maior parte de quem faz esta pesquisa: tem de ser cidadão dos Estados Unidos. A nacionalidade não norte-americana consta da lista de exclusões automáticas publicada pelo FBI e não existe uma via alternativa de candidatura a agente especial.
Idade
Tem de ter pelo menos 23 anos e apresentar a candidatura antes do seu 36.º aniversário. Além disso, tem de concluir todo o processo SASS e entrar ao serviço, o mais tardar, no dia anterior ao 37.º aniversário.
O FBI publica três exceções ao limite dos 36 anos:
- Serviço federal anterior em funções policiais abrangidas, quando reunir 20 anos de serviço policial federal contabilizável até aos 57 anos, comprovado por um SF-50.
- Funcionários atuais do FBI, que se podem candidatar até ao 39.º aniversário e ser admitidos na Academia até ao dia anterior ao 40.º.
- Militares com preferência de veterano até ao posto O-3, que se podem candidatar no máximo 15 meses antes da separação do serviço, com o DD-214 correspondente.
Habilitações e experiência
Para agente especial a licenciatura é obrigatória. O FBI publica duas combinações, correspondentes a dois níveis de entrada:
- GL-9: licenciatura e um ano de experiência como agente da autoridade juramentado, ou, em alternativa, um grau de pós-graduação.
- GL-10: licenciatura e pelo menos dois anos de experiência profissional a tempo inteiro, ou um grau de pós-graduação e pelo menos um ano de experiência profissional a tempo inteiro.
Existe ainda a Iniciativa 1811, uma via reservada a investigadores criminais federais da série 1811 com pelo menos dois anos de experiência contínua nessa função, que também exige licenciatura.
Os outros requisitos publicados
- Carta de condução válida.
- Cumprir os requisitos do teste de aptidão física e do exame médico.
- Poder possuir e transportar arma de fogo legalmente.
- Estar em condições de obter credenciação de segurança Top Secret / SCI.
Exclusões automáticas
O FBI publica uma lista de situações que travam a candidatura à partida: não ter nacionalidade norte-americana, condenação por crime grave, condenação por violência doméstica, violação da política de drogas do FBI, incumprimento de um empréstimo estudantil garantido pelo Estado norte-americano, resultado positivo numa análise de despistagem de drogas do FBI, falta de registo no Selective Service (candidatos do sexo masculino, com exceções), participação em atos destinados a derrubar pela força o governo dos EUA, incumprimento de pensão de alimentos fixada por tribunal e falta de entrega de declarações fiscais.
A política de drogas é explícita: nada de canábis ou produtos com THC, sob qualquer forma e em qualquer país, no ano anterior à data da candidatura, e nenhuma outra droga ilegal nos dez anos anteriores. O mesmo prazo de dez anos aplica-se a esteroides anabolizantes sem receita. Omitir ou falsear o historial de consumo é, por si só, motivo de exclusão.
O processo de seleção do FBI passo a passo
São nove etapas, com prazos definidos entre elas.
- Candidatura e triagem. Envia um currículo em formato federal, certificados de habilitações e documentação militar ou de emprego federal anterior, quando aplicável. Com o processo completo, a decisão sobre os requisitos mínimos chega em cerca de dez dias. O FBI aconselha a começar a treinar para a prova física antes de submeter a candidatura.
- Teste da Fase I. Depois do convite, tem 14 dias para marcar e realizar o teste. O resultado é comunicado no prazo de uma hora após a conclusão.
- Autoavaliação da prova física e questionário de idoneidade, ambos nos sete dias seguintes à aprovação na Fase I.
- Meet and Greet, uma sessão informativa presencial, a realizar no prazo de 30 dias.
- Teste de aptidão física (PFT), nos 30 dias seguintes à data de conclusão do Meet and Greet, e Fase II (a), a prova escrita, nos 14 dias seguintes a essa mesma data.
- Fase II (b), a entrevista, no prazo de 90 dias. Os resultados saem cerca de uma semana depois.
- Oferta de Nomeação Condicional (CAO), nos sete dias seguintes à aprovação na Fase II (b).
- Investigação de antecedentes e exame médico de aptidão, em simultâneo, depois de aceitar a CAO.
- Curso Básico de Formação de Campo (BFTC) em Quantico.
Repare na ordem: a prova física é anterior à Fase II, não posterior. É o erro mais comum nos guias que circulam sobre o processo.
Teste da Fase I do FBI
A Fase I é um exame informatizado que demora cerca de três horas, incluindo os procedimentos de entrada e de saída. Realiza-se em ambiente vigiado, num centro de exames de uma empresa contratada: os vigilantes e os centros não pertencem ao FBI. Não é permitido papel nem caneta, e nenhuma secção exige cálculos.
São cinco avaliações cronometradas. As duas primeiras medem raciocínio; as três seguintes traçam o seu perfil.
Raciocínio baseado em lógica: 11 perguntas
Mede a capacidade de ler um conjunto de factos e retirar conclusões lógicas sobre o que pode e o que não pode ser inferido. Cada item apresenta um parágrafo curto seguido de uma pergunta de escolha múltipla com cinco opções.
É a secção mais próxima de um teste de raciocínio verbal clássico, e é aí que a prática cronometrada rende mais.
Raciocínio figural: 9 perguntas
Mede a capacidade de identificar a forma ou a imagem que completa logicamente um padrão. Cada item mostra uma sequência de formas com uma parte em falta, e a tarefa é encontrar a regra que governa a sequência. Um teste de raciocínio abstrato treina exatamente esta competência.
Avaliação de personalidade: 100 afirmações
Identifica os traços associados ao desempenho como agente especial. Em cada ecrã surgem cinco pares de afirmações, respondidas numa escala deslizante, e não é possível ficar numa posição neutra: tem sempre de inclinar para um dos lados, mesmo quando concorda ou discorda das duas. A avaliação é adaptativa.
Não há respostas certas, mas vale a pena perceber como estes instrumentos funcionam antes do dia do exame: cinco mitos sobre os testes de personalidade.
Preferências e interesses: 37 perguntas
Recolhe as suas atitudes perante um conjunto de afirmações, numa escala de concordo a discordo.
Julgamento situacional: 19 perguntas
Avalia o seu julgamento em situações do dia a dia. Cada cenário traz cinco opções de resposta e tem de escolher a que tomaria. A prática em testes de julgamento situacional ajuda a reconhecer o tipo de resposta que estes instrumentos valorizam.
O que acontece se não passar
O resultado chega no prazo de uma hora. Pode repetir o teste 90 dias após a última sessão, mas o convite para repetir não é garantido. Dois chumbos na Fase I desativam a candidatura de forma definitiva, sem direito a nova consideração no futuro. Duas caducidades de convite ou duas faltas de comparência produzem o mesmo efeito.
Todos os candidatos assinam um termo de confidencialidade e não podem discutir qualquer parte dos testes ou das entrevistas, durante ou depois do processo. O teste de proficiência linguística, para quem o pretenda, só pode ser pedido depois de passar a Fase I.
Teste da Fase II do FBI
A Fase II tem duas provas independentes, ambas de aprovado ou reprovado: a Fase II (a), escrita, e a Fase II (b), a entrevista.
Fase II (a): a prova escrita
Dura duas horas e meia e avalia a capacidade de analisar dados e redigir dois relatórios completos e bem escritos. É informatizada e vigiada, num centro de exames: lê um cenário fictício e escreve os relatórios no computador. Não há corretor ortográfico nem gramatical. Existe uma pausa opcional a meio.
Os resultados saem cerca de três semanas depois. Dois chumbos excluem a candidatura, e entre tentativas o intervalo é de 60 dias.
Fase II (b): a entrevista
Dura uma hora e é conduzida por um painel de três agentes especiais, num de nove centros regionais situados perto de aeroportos em grandes cidades norte-americanas. A deslocação é reembolsada.
Segue o formato padrão de entrevista por competências da administração norte-americana. O FBI recomenda estruturar cada resposta em situação, ação e resultado (SAR, de Situation, Action, Result), com uma repartição aproximada de 10, 80 e 10 por cento do tempo. O painel não conhece o seu percurso: não viu a sua candidatura nem o seu currículo, pelo que cada exemplo tem de ser explicado de raiz.
Dois chumbos excluem a candidatura, e o intervalo entre tentativas é de seis meses.
As seis competências nucleares
As duas fases são avaliadas contra as mesmas seis competências nucleares (Core Competencies) publicadas pelo FBI:
- Colaboração
- Comunicação
- Iniciativa
- Organização e planeamento
- Resolução de problemas e julgamento
- Profissionalismo e integridade
São o vocabulário de todo o processo, do currículo federal à entrevista final. Prepare um exemplo concreto para cada uma.
Quem passa a Fase II (b) recebe, nos sete dias seguintes, a Oferta de Nomeação Condicional (CAO): uma oferta provisória que só se torna definitiva depois das últimas verificações.
Aptidão física, antecedentes e formação
Teste de aptidão física (PFT)
O PFT tem quatro provas, realizadas por esta ordem, com um intervalo máximo de cinco minutos entre cada uma:
- Elevações na barra (pull-ups ou chin-ups), número máximo contínuo, sem limite de tempo
- Sprint de 300 metros, cronometrado
- Flexões de braços (push-ups), número máximo contínuo, sem limite de tempo
- Corrida de 1,5 milhas, cerca de 2,4 km, cronometrada
Não há abdominais na lista atual do FBI. Para passar precisa de pelo menos 1 ponto em cada prova e um mínimo de 10 pontos no total.
Tem uma primeira tentativa e mais duas, dentro dos seis meses seguintes à data de conclusão do Meet and Greet. Menos de 6 pontos, ou menos de 1 ponto em qualquer prova, logo à primeira tentativa implica a retirada da candidatura, com possibilidade de recandidatura mais tarde. Não passar dentro do prazo previsto significa exclusão definitiva do SASS. O FBI disponibiliza a aplicação oficial FBI FitTest, para iOS e Android, que pontua as provas em tempo real.
Investigação de antecedentes e exame médico
A investigação inclui uma entrevista de segurança pessoal (PSI), um exame poligráfico, análise de despistagem de drogas, recolha de impressões digitais, verificação de crédito e de registo criminal, entrevistas a conhecidos e referências e confirmação das habilitações. Demora, em média, cerca de seis meses, mas pode chegar a 18 meses ou mais consoante os países onde viveu, trabalhou e viajou.
O exame médico de aptidão decorre em paralelo: historial clínico, vacinação obrigatória, avaliação médica, eletrocardiograma, teste de tuberculose e exames de visão e de audição.
Formação em Quantico
O Curso Básico de Formação de Campo (BFTC) dura 18 semanas, em Quantico, na Virgínia. A turma pode ser marcada com três a seis meses de antecedência, e a oferta final, já com a primeira colocação (First Office Assignment), chega duas a quatro semanas antes do início. Durante o curso é obrigatório passar um PFT, sob pena de exclusão.
Como se preparar para os testes do FBI
Comece pelo material do próprio FBI
O FBI publica um guia, o Testing Overview: Special Agent Selection System, que inclui um teste de prática da Fase I com respostas comentadas e um cenário de exemplo da prova escrita da Fase II (a), acompanhado de respostas e das respetivas avaliações. É gratuito e está em fbijobs.gov. Comece por aí: é a única amostra que vem da própria agência.
Convém saber, com igual clareza, que o FBI não subscreve nem recomenda qualquer material de preparação para lá do que consta em fbijobs.gov e nesse guia. Isso inclui o nosso. O que a prática externa acrescenta é volume de treino nos formatos certos, que um único teste de exemplo não consegue dar.
Treine os formatos, não a matéria
A Fase I não tem matéria para estudar. O que melhora com a prática é o ritmo: ler um parágrafo denso e decidir depressa o que é e o que não é inferível, ou reconhecer a regra de uma sequência de formas sem a testar opção a opção. Faça sessões cronometradas de testes de prática nos formatos que a Fase I usa e habitue-se a trabalhar sem papel, porque no dia não o vai ter.
Prepare a prova física com meses de antecedência
O FBI aconselha a treinar para o PFT antes mesmo de submeter a candidatura, e a razão é o calendário: quando a prova chegar, tem 30 dias a contar do Meet and Greet e três tentativas no total. As elevações na barra são a prova que mais candidatos apanha desprevenidos, precisamente por não melhorarem em poucas semanas.
Escreva os seus exemplos antes de precisar deles
As seis competências nucleares aparecem no currículo federal, no Meet and Greet, na prova escrita e na entrevista. Escolha um exemplo forte para cada uma, escreva-o em formato SAR e treine-o em voz alta. Na entrevista o painel não sabe nada sobre si, por isso cada exemplo tem de ser compreensível sem qualquer contexto prévio.